
Backside flips foto : Caetano Oliveira
Sobre as margens plácidas do Ipiranga saiu grandes skatistas que sempre representaram no cenário do skate brasileiro,dentre eles Marcos Noveline. Com uma ideia forte na cabeça de começar há andar de skate viu liberdade e diversão ,com estilo de vida aliado com profissionalismo. Sua prática veio muito intensa que lhe deu muita base em transição,com estilo ousado sem deixar nenhuma ‘’brecha’’ nas sessões de Banks. Noveline dropa, dropa de novo, e acaba deixando muitos sem conseguir colocar o tail no coping, afinal ficar ‘’adrenado’’ na sessão é para quem têm fome de skate, que ele consegue saciar só andando com cada vez mais velocidade, esmerilhando os eixos sem remorso de lapidar com os copings de qualquer parede.

Marcos Noveline foto: Rene Junior
Sua história com skate começou em meados de 88?
Sim basicamente , quem começou primeiro a andar de skate foi a minha irmã, (risos) até é muito engraçado, mais ela começou a andar de skate porque toda a galera da minha rua andava. Ela queria fazer amizade com a galera, daí comprou um skate e saiu na rua, e ficou amiga da galera, se passarão 02 semanas parou de andar de skate. E eu já louco para andar , por que via os caras da rua, eles tinham uns ‘’quarter-pipes gigantes, e eles já andavam prá caralho, quando eu os vi , mandando inverts , rock- roll interradão no estilo daí eu falei para mim mesmo, ‘’ é isso que eu quero para minha vida, daí com o skate da minha irmã, comecei a andar, foi onde eu comecei com o skate que faz parte da minha vida todos esses anos, que será para sempre. Skate na veia.
Nessa época o skate era basicamente varar rampas , o que mais vocês faziam no skate além disso ?
Então na aréa que eu morava na região do Ipiranga, já existiam vários skatistas, daí era a galera da rua de cima, a galera da rua de baixo, e a galera da rua da feira, cada um desses picos era um skate diferente para praticar, na rua de cima a gente fazia slids e andava em uma transiçãozinha na calçada, que era irado , na rua de baixo era o quarter (onde eu morava), na rua da feira nos andávamos na igrejinha que tinha os degraus com cantoneira , varava rampa , criava uns wallrides na frente da casa do Marquito, era muito skate isso que estou falando, que saudades…

F/S Feeble foto : Alan Carvalho
Os seus amigos daquela época ainda continua sendo os de hoje como Márcio Tarobinha,Toninho (faleceu ),Tadeu Ferreira,Plinio Higuty ,René Sigueto,Marcelo Xue quem eram os casa-nova que sofria na mão dos mais velhos?
Sim , os amigos daquela época são meus amigos até hoje.
Na verdade quem sofria nas mãos dos mais velhos era eu ,Toninho e Pintinho, por que nos éramos os mais novos, o resto dos caras já eram bem mais velhos.
O que você conseguiu absorver para sua formação como skatista que talvez hoje em dia não seja igual , ou a nova geração não passou por isso ?
O que eu absorvi para mim como é ser um verdadeiro skatista , a geração de agora não tem, é a seguinte questão que eu acredito, eu sou a terceira geração de skate no Brasil, então eu sempre valorizei o skatista das gerações anteriores. Para mim eles sempre vão ter um puta valor como skatista pois foi a minha raiz para estar por aqui como skatista . Porque sempre um skatista de uma geração anterior vai estar deixando alguma coisa pronta para geração seguinte, e daí que você vai desenvolver criatividade, vontade, estilo, e muitos anos em cima do skate você vai entender, e saber se realmente você gosta de skate, por que andar de skate é fácil, ser skatista muito difícil (Risos ). Esta entendendo esse ponto ??
Quando eu te conheci você não andava mais de skate, que foi na época que trabalhei na revista 100% 98/99 , que seu pai tinha um restaurante que a gente almoçava! Você estava num momento que estava para ser pai ?
Sim , está certo, Daniela estava grávida, eu estava voltando da cirurgia do tornozelo.

Frontside Rock Roll foto: Flavio Gomes
Seu filho não gosta de skate, ele gosta de vídeo games como XBOX 360 ?
Meu filho não gosta muito de skate , o negocio dele é futebol e PlayStation
Você acha que sua educação (pelos seus país )é muito diferente na maneira que você está educando seu filho, por você ser um pai de mente aberta, e ser jovem e convive com pessoas ainda mais jovens que você!!! ???
Sim, muito diferente, meus pais para aceitarem algo de novo na nossa vida era muito difícil, no entanto o Isaac meu filho foi programado para vir quando ainda éramos muito jovens , para quando ele estivesse com 18 anos, ainda seriamos amigos, como os seus próprios amigos, não só como seus pais maternos ‘’quadrados’’se tivesse nascido em uma outra família .
Quando que você teve a ideia de construir seus próprios picos, que lhe rendeu uma bela capa na revista Tribo Skate ?
Na verdade surgiu a necessidade de andar em alguns picos diferentes, como eu sempre gostei de assistir vídeos de skate, eu percebi que os gringos lá também construíam seu picos, e daí falei com o Biano Bianchin e começamos a fazer vários picos por São Paulo, e um deles que rendeu uma bela capa na revista Tribo Skate.
Recentemente mas nem tanto assim virou ’’ febre’’ construir picos, ou adaptar para ficar melhor para andar, talvez depois do Fully Flared as pessoas perceberam que até os gringos fazem picos ,para fazer certas manobras que não existe pico para executa-las! Existe algum pico que você gostaria de adaptar para fazer uma manobra inédita?
Não querendo ser mais que ninguém, mais os primeiros a adaptar os picos aqui no Brasil foi eu e o Biano Bianchin!!!!
Sim, tenho vários que serão desenvolvidos durante este ano 2012.

F/S Nosegrind foto : Marcelo Mug
Você gosta muito de andar em transição, e como a sua escola sempre teve boas pistas na sua área, porque ainda não têm um Banks na sua casa ?
Sim gosto muito de andar em transição, mais não apenas em transição gosto de andar em todas as situações de skate.
Não tive a minha própria pista ainda por falta de verba, mesmo por que se não, já teria a minha pista muito tempo.
Meu amigo o Chris Franzen disse que seu estilo é dos caras de San Francisco , que cola na sessão lotada e dropa, e dropa sem parar,e inferniza todo mundo, já foi para San Francisco sentir esse briza?
Seu amigo Cris Franzen, primeiro de tudo, ele é um puta skatista, e eu considero muito ele, e se ele fala de mim dessa forma, eu me sinto muito feliz, por ter vindo dele, um skatista de verdade, esse é skate na veia.
Cara eu nunca fui para San Francisco, mais eu sei se fosse eu iria curtir muito.
Como você avalia o mercado skate sendo profissional?
O mercado de skate o que acontece, tem espaço para todos trabalhar, só que todos esses que estão no mercado, teriam que estar fomentando apoiando e patrocinando,para cada vez mais o skate crescer como um grande bolo, e o skatista profissional ser melhor remunerado sendo bem honesto.
O faturamento das marcas e distribuidoras de produtos importados é muito alto , mas cada vez eles patrocinam menos skatistas, eles não conseguem olhar para trás e perceber que existiu, e existe importantes skatistas, que fizeram a cena rolar para manter aquecido o mercado de hoje ! O que você acha disso ?
Quem faz a marca não é só um bom produto, mais sim o skatista, então se não estiver os dois como uma engrenagem de uma máquina, nada feito, você vai acabar sempre sendo mais um que tentou e desistiu …não seja oportunista seja skatista.

Frontside Noseblunt foto : Eduardo Brás
O skate que sempre foi marginalizado durante tantos anos hoje em dia ficou ‘’cool’’ diante das campanhas publicitárias para comercial de TV, você imagina algum motivo porque parte dessa verba de marketing não está no bolso dos skatistas profissionais ?
Na verdade eu acho que todas essas marcas, e empresas fora do nosso seguimento, que não são do skate, e vivem usando a imagem do skate, o mínimo que elas teriam que fazer era patrocinar os skatistas, ou criarem super eventos com uma premiação gorda.
Entrevista : Jorge Costa
Agradecimentos aos fotógrafos :
- Marcelo Mug
-Caetano Oliveira
-Flávio Gomes
-Eduardo Bráz
-Rene Junior